O setor de Segurança Privada vive um momento de transformação. Com a sanção do novo marco legal, a regulamentação do frete mínimo e a crescente integração entre tecnologia, inteligência e gestão de riscos, as empresas do segmento são chamadas a se reposicionar, e a representar seu papel com mais força do que nunca.
Nesse cenário, a Fenavist (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores) assume um papel central na articulação nacional do setor. E é com esse pano de fundo que recebemos uma conversa exclusiva com seu presidente, Flávio Sandrini Baptista.
Na entrevista, ele fala sobre os pilares de sua gestão, a criação da vice-presidência de Gerenciamento de Riscos com a participação de Bruna Medeiros e Kelly Simões, da Gristec, os impactos da nova Lei do Frete Mínimo nas operações de transporte e rastreamento, e o papel social do setor por meio da campanha “Segurança Privada: Por elas, Para elas”.
Uma leitura essencial para quem acompanha os rumos da Segurança Privada no Brasil.
Entrevista Gristec | Flávio Sandrini Baptista

1. Presidente, o senhor assume a Fenavist com o foco em integração e fortalecimento da Segurança Privada. Qual o significado dessas duas palavras na prática para a Federação e para as empresas do setor?
Flávio Sandrini: Integração significa aproximar ainda mais a Fenavist dos sindicatos e transformar essa presença nacional em uma verdadeira união de forças. Cada sindicato conhece profundamente a realidade, os desafios e as particularidades das empresas em seu estado. Nosso papel é reunir essas experiências, promover o diálogo e fazer com que elas contribuam para a construção de uma agenda nacional cada vez mais consistente.
O fortalecimento vem justamente dessa atuação conjunta. Significa ampliar a representatividade do setor, defender seus interesses de forma coordenada e garantir uma presença institucional cada vez mais qualificada nos espaços onde são tomadas decisões que impactam a Segurança Privada.
Temos uma legislação federal e grande parte das questões regulatórias e institucionais do setor passam por Brasília. Por isso, a Fenavist precisa estar próxima das instituições, acompanhar permanentemente essas pautas e, sobretudo, levar para o debate nacional a realidade vivenciada pelas empresas em todo o país.
Integração e representatividade foram pilares da nossa proposta e serão princípios permanentes da nossa gestão: ouvir as bases, construir posições em conjunto e transformar essa união em força institucional para todo o setor.
2. O senhor destacou a integração entre as entidades do setor como um pilar. Como pretende aproximar sindicatos, federações, associações e empresas em torno de pautas comuns?
Flávio Sandrini: A integração precisa acontecer de forma prática e permanente. A Fenavist tem o papel de articular nacionalmente o setor, mantendo um fluxo constante de informação e participação com os sindicatos e, por meio deles, com as empresas e os profissionais que estão na ponta e conhecem a realidade da atividade.
Mas integrar vai além de informar. Significa ouvir, compartilhar experiências, identificar pautas convergentes e construir posições que representem o setor de forma consistente. Quanto maior for essa articulação, maior será nossa capacidade de defender interesses comuns e apresentar propostas tecnicamente fundamentadas.
A própria trajetória da Fenavist demonstra que as grandes conquistas do setor são resultado de construção coletiva. O Estatuto da Segurança Privada é um bom exemplo: foram anos de diálogo, articulação e trabalho institucional envolvendo diferentes atores até chegarmos a um novo marco legal.
É esse modelo que queremos fortalecer: mais participação, mais diálogo e uma atuação coordenada em torno das pautas que são estratégicas para a Segurança Privada brasileira.
3. O Gerenciamento de Riscos e o rastreamento são áreas estratégicas, mas ainda pouco discutidas no setor de Segurança Privada. O que você planeja para dar visibilidade e fortalecer essa pauta?
Flávio Sandrini: O Gerenciamento de Riscos e o rastreamento são atividades cada vez mais relevantes dentro de uma visão integrada de segurança. O setor evoluiu muito nos últimos anos, impulsionado pela tecnologia, pela inteligência e pela necessidade de antecipar riscos, e o novo marco legal da Segurança Privada acompanha parte importante dessa transformação.
Hoje, falar em Segurança Privada é falar de um conjunto de soluções que envolve pessoas, tecnologia, monitoramento, prevenção e análise de riscos. São elementos que se complementam e que, quando bem integrados, aumentam a capacidade de prevenção e tornam as operações mais seguras e eficientes.
A Fenavist precisa ampliar o espaço para esse debate, aproximando empresas e especialistas dessas áreas e trazendo suas experiências e demandas para a agenda nacional. Queremos contribuir para que o Gerenciamento de Riscos e o rastreamento tenham maior visibilidade e sejam cada vez mais compreendidos como componentes estratégicos de uma segurança moderna, integrada e profissional.
4. Uma das novidades da nova diretoria é a criação ou o fortalecimento da área de Gerenciamento de Riscos, que terá Bruna Medeiros e Kelly Simões, da Gristec, como vice-presidentes. Por que esse tema ganhou relevância estratégica na Fenavist?
Flávio Sandrini: Porque o Gerenciamento de Riscos está diretamente ligado ao futuro da Segurança Privada. As operações se tornaram mais complexas, a tecnologia avançou e os riscos também se transformaram. Isso exige uma atuação cada vez mais baseada em prevenção, planejamento, inteligência e capacidade de antecipação.
A presença de representantes dessa área na diretoria da Fenavist reflete justamente o nosso propósito de ampliar a participação e incorporar diferentes experiências e competências à atuação da Federação. Queremos uma entidade cada vez mais conectada com a realidade e com as transformações do setor.
A contribuição da Bruna Medeiros e da Kelly Simões, trazendo também a experiência construída no âmbito da GRISTEC, será importante para aproximar essas pautas das discussões nacionais e ampliar o diálogo entre os diferentes segmentos.
Nosso objetivo é fazer da Fenavist um espaço cada vez mais amplo de representação, onde diferentes áreas possam contribuir, de forma integrada, para o fortalecimento e a evolução da Segurança Privada no Brasil.

5. Com a sanção recente da nova Lei do Frete Mínimo, que impacto você enxerga para as operações de transporte e para o Gerenciamento de Riscos e rastreamento no setor?
Flávio Sandrini: A nova legislação do frete mínimo tende a trazer maior formalização, controle e transparência às operações de transporte rodoviário de cargas. O fortalecimento do CIOT, sua vinculação às informações da operação e os mecanismos de fiscalização ampliam a rastreabilidade e exigem maior organização de toda a cadeia logística.
Para as atividades de Gerenciamento de Riscos e rastreamento, é importante destacar que a nova lei não cria, diretamente, novas atribuições ou obrigações específicas, mas, sem dúvida, altera a dinâmica operacional das empresas, os custos e as responsabilidades no transporte rodoviário de cargas. O impacto é principalmente indireto, que vai exigir operações mais formalizadas e estruturadas, aumentando a importância da integração de informações, da rastreabilidade e dos mecanismos de controle ao longo de toda a jornada da carga.
Nesse cenário, as empresas de Gerenciamento de Riscos, hoje caracterizadas como empresas de segurança privada, tão importante nesta cadeia, tem papel importantíssimo e as tecnologias de rastreamento permanecem como instrumentos estratégicos para a segurança das operações, prevenção de perdas e maior confiabilidade nos processos de compliance logístico.
O desafio será assegurar que essa evolução regulatória venha acompanhada de eficiência operacional, sem perder de vista a segurança das cargas, dos veículos e dos profissionais envolvidos.
6. A campanha “Segurança Privada: Por elas, Para elas”, lançada recentemente, coloca o profissional de segurança como agente de proteção à mulher. Como a Fenavist pretende expandir o papel social do setor?
Flávio Sandrini: Essa campanha mostra que a Segurança Privada também pode contribuir para questões relevantes da sociedade. Estamos falando de um setor presente diariamente em shoppings, condomínios, hospitais, empresas, escolas, eventos e tantos outros espaços frequentados por milhões de pessoas. Essa capilaridade nos dá uma grande capacidade de disseminar informação, promover conscientização e contribuir para uma cultura de prevenção e respeito.
No caso da campanha “Segurança Privada: Por Elas, Para Elas”, estamos diante de um problema grave, que é a violência contra a mulher. A proposta é fazer essa mensagem chegar efetivamente à ponta: da Fenavist aos sindicatos, dos sindicatos às empresas e das empresas aos profissionais.
Queremos que esse trabalho gere conscientização e prepare cada vez melhor os profissionais para reconhecer situações de risco e agir de forma responsável, dentro de suas atribuições, inclusive sabendo como orientar e acionar corretamente os canais competentes quando necessário.
E esse compromisso não termina no ambiente de trabalho. A informação e a conscientização também alcançam as famílias e as comunidades onde esses profissionais estão inseridos. É assim que entendemos o papel social do setor: utilizar nossa presença e nossa capilaridade para contribuir positivamente com a sociedade, por meio de campanhas, capacitação, parcerias e ações permanentes.

7. Para encerrar, que mensagem o senhor deixa para as empresas e profissionais de GR e rastreamento que estão acompanhando o início da sua gestão?
Flávio Sandrini: Assumo essa missão com muita responsabilidade e com a convicção de que temos um momento importante pela frente. A Segurança Privada é um setor essencial para o país, que gera empregos, movimenta a economia e atua de forma complementar à Segurança Pública, estando presente diariamente na vida de milhões de brasileiros.
Às empresas e aos profissionais de Gerenciamento de Riscos e rastreamento, quero deixar uma mensagem muito clara: queremos vocês próximos da Fenavist e participando ativamente dessa nova etapa. São áreas que agregam tecnologia, inteligência, prevenção e inovação e que têm muito a contribuir para a evolução do setor.
Vivemos um momento de transformação, especialmente com o novo marco legal da Segurança Privada. É uma oportunidade para modernizamos nossas atividades, ampliarmos o diálogo e construirmos, juntos, caminhos para um setor cada vez mais profissional, integrado e preparado para os novos desafios.
A Fenavist estará aberta a essa participação. Queremos ouvir, aproximar e representar. Porque quanto mais unidos estivermos, maior será a nossa capacidade de fortalecer a Segurança Privada brasileira.