Por Bruna Medeiros*, presidente da GRISTEC
Em 2025, o Brasil registrou cerca de 8.570 roubos e furtos de carga, o equivalente a 23 ocorrências por dia, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O prejuízo acumulado ultrapassou R$ 900 milhões. Por trás de cada estatística, há um caminhoneiro que saiu de casa para trabalhar e se viu diante de uma situação de risco real. É sobre a proteção desse profissional, e não contra ele, que o gerenciamento de risco existe.
Um setor que protege quem move o Brasil
O Brasil é um país de rodovias. Cerca de 75% de todas as mercadorias que circulam no país passam por caminhões. Isso significa que qualquer ameaça ao transporte rodoviário é, na prática, uma ameaça ao abastecimento de cidades, à cadeia produtiva e à economia nacional.
As empresas associadas à GRISTEC atuam exatamente nesse ponto crítico: monitoram rotas, identificam riscos, apoiam a tomada de decisão e, quando necessário, acionam protocolos de segurança. O objetivo é um só, ou seja, que a carga chegue ao destino e que o motorista volte para casa.
Isso não é burocracia. É tecnologia e inteligência sendo usadas para proteger vidas e patrimônio.
O crime organizado não é simples e a resposta também não pode ser
Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram queda consistente nas ocorrências em rodovias federais: de 850 casos em 2023 para 689 em 2025. Uma conquista real, obtida com trabalho conjunto entre forças de segurança, transportadoras e empresas de gerenciamento de risco.
Mas especialistas alertam: a redução dos números não significa que o crime recuou. Na prática, as quadrilhas estão se reorganizando. Atuam de forma mais seletiva, concentradas em cargas de alto valor e com maior facilidade de revenda. Monitoram rotas, cooptam informantes e planejam as ações com antecedência. Não é um crime de oportunidade, mas sim uma operação estruturada.
Diante dessa realidade, os protocolos que as gerenciadoras de risco adotam, como o bloqueio remoto de veículos em situações específicas, existem como resposta técnica a uma ameaça igualmente técnica. São procedimentos que seguem critérios claros, construídos com base em dados, experiência operacional e diálogo com transportadoras e embarcadores.
Quando a proteção parece obstáculo
É natural que o motorista se frustre quando enfrenta um bloqueio inesperado ou tem a viagem interrompida. Nenhum profissional quer ter seu trabalho paralisado e essa percepção precisa ser levada a sério pelo setor.
Reconhecemos que há espaço para melhorar a comunicação entre gerenciadoras, transportadoras e motoristas. Protocolos mais claros, canais de diálogo mais acessíveis e treinamentos que expliquem o porquê de cada procedimento são parte do aprimoramento contínuo que o setor busca.
O caminhoneiro não é o alvo dos protocolos. Ele é o profissional que os protocolos buscam proteger e esse princípio precisa ser vivido na prática, não apenas declarado.
O custo de não fazer nada
Os impactos do roubo de carga vão além das estatísticas. No Rio de Janeiro, os Correios chegaram a restringir entregas em cerca de 44% dos CEPs da cidade por conta do risco de assaltos. Moradores de regiões inteiras ficaram sem acesso regular a encomendas. Esse é o custo concreto da ausência de controle sobre a criminalidade no transporte.
Cada carga recuperada, cada rota protegida, cada motorista que chega ao destino sem incidentes representa o trabalho silencioso das empresas de gerenciamento de risco. Um trabalho que raramente aparece nas manchetes; justamente porque, quando funciona, não há notícia.
O que defendemos
A GRISTEC defende um setor que opere com transparência, que dialogue com todos os elos da cadeia logística e que coloque a segurança do motorista no centro de seus processos. Defendemos também o aprimoramento regulatório, com regras claras que orientem as práticas do setor e garantam os direitos de todos os envolvidos.
No fim das contas, a solução para o roubo de carga no Brasil passa pela cooperação entre empresas de gerenciamento de risco, transportadoras, motoristas, embarcadores e órgãos de segurança pública. Sem adversários. Apenas parceiros.
Fontes:
- Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) / JOTA — roubos e furtos de carga 2025
- Nstech — prejuízo econômico estimado em R$ 900 milhões
- NTC&Logística — participação do modal rodoviário (75%)
- Polícia Rodoviária Federal (PRF) — ocorrências em rodovias federais 2023–2025
Sobre Bruna Medeiros, Presidente da GRISTEC: Desde 2008 na Trans Sat Gerenciamento de Risco, em São José do Rio Preto, empresa criada por sua mãe, Rosângela Medeiros, em 2000. No decorrer dos anos, Bruna passou por todas as áreas da empresa, o que trouxe muito conhecimento sobre as necessidades do mercado brasileiro de transporte de cargas e logística e, principalmente, sobre gerenciamento de riscos e seus desafios. Assim, com o desejo de tornar o segmento mais forte e contribuir com a organização do setor para um mercado mais equilibrado e justo, Bruna passou a fazer parte da GRISTEC em 2018, como Diretora de Gerenciamento de Riscos.Em 2021, foi eleita presidente da entidade, reafirmando o compromisso com a melhoria contínua do setor como um todo. Em 2025 foi reeleita presidente, sempre com foco em contribuir para o desenvolvimento e segurança de nosso país.
Sobre a GRISTEC: A GRISTEC, Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento, é uma entidade patronal, fundada em 2005. Reúne empresas do setor de gerenciamento de riscos, rastreamento e telemetria, em todo o Brasil.